Postado em 07/02/2019

No meio esportivo geralmente acompanhamos equipes e grandes seleções, gostamos de vê-las jogar, comentamos sobre a técnica e tática apurada, sobre a habilidade ou mesmo sobre o conjunto existente, também nos interessamos por notícias referentes seus atletas. Porém, muitas vezes não nos atentamos com a trajetória que tais equipes percorreram antes de ganhar destaque regional, nacional ou mundial em determinada modalidade.
Nesse texto será tratado especificamente sobre o voleibol brasileiro, hoje considerado o melhor voleibol do mundo, detentor de vários títulos tanto na quadra quanto na areia, tanto nas categorias adultas masculina e feminina quanto nas categorias de base. E por falar em base, esta muitas vezes passa desapercebida pelo público em geral, que conhece ou acompanha apenas as seleções adultas.   
O crescimento do voleibol no Brasil se deu a partir da chamada geração de prata, que conquistou a medalha de prata nas Olimpíadas de Los Angeles em 1984. De lá para cá o voleibol foi sendo praticado cada vez mais, ganhando mais adeptos e fãs, sua gestão foi melhorada e outras ações foram adotadas a fim de contribuir para seu desenvolvimento, até chegar no patamar vitorioso a nível mundial que o voleibol brasileiro se encontra hoje. Porém, a história vencedora deste esporte é assunto para um outro momento. O que quero ressaltar aqui é a importância do trabalho feito na base, na formação dos jogadores e na excelência do trabalho desenvolvido, tornando o Brasil um grande seleiro de atletas, fomentando assim as seleções adultas e as equipes do Brasil e do mundo todo. Este trabalho de formação exige continuidade, pois senão a seleção estaria fadada a ter uma geração vencedora durante um certo período de tempo e sem a renovação necessária não conseguiria se manter no topo por muito tempo. Vemos casos de seleções que foram vitoriosas um dia e que hoje lutam para retomar o destaque alcançado um dia, como os casos de Peru no feminino e Itália no masculino.
O voleibol é um esporte complexo, composto da junção de várias habilidades básicas como saltar, correr, volear, rolar, dentre outras, exige coordenação, tempo de reação, visão periférica e também requer atenção, formando assim as habilidades específica da modalidade como a cortada, o bloqueio, o toque, o saque e a manchete, sem falar nos estilos de defesa mais complexos como o famoso “peixinho” do voleibol.
Devido a esta complexidade é indicado que antes da especialização na modalidade voleibol a criança possa vivenciar todas as habilidades básicas possíveis, para desta forma compor sua bagagem motora, proporcionando maior facilidade para mobilizar estas habilidades para vencer situações problemas geradas durante a aprendizagem da modalidade esportiva, neste caso o voleibol.
A especialização esportiva precoce dificilmente é indicada e a criança só vai progredir dentro da modalidade se realmente tiver gosto por tal, frequentemente vemos casos de atletas que chegam a se profissionalizar em determinada modalidade, porem iniciaram sua vida esportiva com outra. Quantos casos temos de crianças que se iniciaram esportivamente no basquete, que passou pelo futebol, handebol, natação e acabou no voleibol, ou em outra modalidade.

O que quero ressaltar aqui é a importância da completa formação da criança, a princípio visando seu bem-estar físico, ou oferecer uma atividade física para tirá-las da ociosidade e possivelmente das ruas, para depois disso sim poder visar a formação como atleta de competição. Desta forma, mesmo que a criança não venha a ser um atleta profissional no futuro a contribuição para a qualidade motora e consequente contribuição para a qualidade de vida foi dada, fazendo com que a criança tome gosto pela atividade física, impedindo assim que ela se torne um adulto sedentário.

(Fonte: Dênis Pereira é mestre em gestão do esporte, consultor da CBV – Confederação Brasileira de Vôlei, gestor de projetos sociais esportivos e expert do Portal da Educação Física)

Contatos

Biblioteca Digital

Facebook