Postado em 26/11/2019

Muitas pessoas encontram dificuldade em manter a redução de gordura corporal induzida por dietas restritivas. Tendo isso em vista, diversos pesquisadores começaram a buscar abordagens alternativas para a perda de peso em curto e longo prazo. Em estudo realizado em meados de 2011 pela Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição dos Estados Unidos (NHANES, na sigla em inglês), constatou-se que o consumo de carboidratos na ingestão total de energias aumentou de 39%, em 1971, para 51%, em 2011. No mesmo período, o percentual de americanos com sobrepeso passou de 42% para 66%.

Com base em pesquisas como essa, diversos criadores de dietas populares fizeram do carboidrato o grande vilão do ganho de peso e optaram pela restrição de seu consumo, tornando-se comum, em algumas dietas, eles serem cortados quase que completamente.

Em dois estudos mais recentes, podemos verificar a prática de algumas hipóteses sobre o tema. No primeiro, publicado na Obesity, revista científica da Obesity Society, foram selecionadas 89 pessoas de ambos os sexos que apresentavam sobrepeso prévio, para que, divididas em grupos, seguissem três tipos de dietas por 16 semanas. A diferença entre cada dieta encontrava-se na porcentagem de carboidratos a ser ingerida durante o dia, que era de 40% ou 55% do total de consumo energético diário, e todas as dietas tinham em comum a taxa fixa de 40% de proteína por dia. Ao final do período, todos os grupos perderam, em média, 7,7 kg de gordura e aumentaram em 0,5 kg a massa livre de gordura. Nenhuma diferença significativa foi observada entre as dietas, sugerindo, portanto, que o balanço energético negativo parece ser um fator determinante para a perda da gordura corporal.

O segundo estudo, realizado pelo mesmo grupo de pesquisadores, foi publicado no The American Journal of Clinical Nutrition. Nesse estudo foram escolhidos 40 homens com sobrepeso, divididos em dois grupos que deveriam seguir determinada dieta por 28 dias. Nesse período, o protocolo de treinamento foi o mesmo para todos, e as variações na dieta diziam respeito à porcentagem de proteína a ser ingerida durante o dia, que era de 20% ou 40% do valor energético, tendo sido fixada em 1,2 g/kg ou 2,4 g/kg para cada um dos grupos, em relação ao peso dos pacientes. Já o valor do carboidrato era fixado em 3 g/kg, também em relação a cada paciente, o que dava em torno de 50% do valor calórico diário. Ao final do estudo, chegou-se à conclusão de que o grupo que consumiu mais proteína perdeu, em média, 1,3 kg de gordura corporal e aumentou em cerca de 1 kg a massa livre de gordura em relação ao grupo que consumiu menos proteína.

Analisando as informações obtidas nos dois estudos, podemos concluir que, para aumentar a queima de gordura corporal, é mais importante o aumento do consumo de proteínas do que a restrição de carboidratos, uma vez que, mantendo-se o percentual de carboidratos equilibrado, não houve grande interferência na perda de peso. Assim, a restrição de consumo de carboidratos sem observação do quadro geral e sem critérios não se mostra como uma solução.

Referências
Longland TM, Oikawa SY, Mitchell CJ, Devries MC, Phillips SM. Higher compared with lower dietary protein during an energy deficit combined with intense exercise promotes greater lean mass gain and fat mass loss: a randomized trial. Am J Clin Nutr. 2016 Mar;103(3):738-46.
Parr EB, Coffey VG, Cato LE, Phillips SM, Burke LM, Hawley JA. A randomized trial of high-dairy-protein, variable-carbohydrate diets and exercise on body composition in adults with obesity. Obesity (Silver Spring). 2016 May;24(5):1035-45.

 

Contatos

Biblioteca Digital

Facebook