Postado em 05/04/2018

Sabe-se que a relação ensino-aprendizagem pode ser vista como um sistema constituído pela interação de três componentes formados por professor, aluno e matéria - que tem por meta promover mudanças efetivas nos comportamentos, capacidades e competências do aluno.

Neste sentido, o papel principal do professor é estabelecer a relação entre o aluno e a matéria. No entanto, a questão central é ter ciência sobre o que se basear para estabelecer essa relação e quais as necessidades do aluno para que o seu aprendizado aconteça por completo.

Quando se fala em crianças, vale ressaltar que conhecer como se dá o desenvolvimento motor do aluno, por parte do professor, constitui-se em um elemento fundamental, a partir do momento em que a matéria de ensino é o esporte. Infelizmente, essa é parte fundamental do processo e que tem sido sistematicamente esquecida.

Os métodos contemporâneos de ensino do esporte têm proposto como prioridades na iniciação, o desenvolvimento de capacidades como a de solucionar problemas táticos, de tomar decisões táticas, de ler e compreender diferentes situações e contextos, de compreender a dinâmica de jogo, etc. São capacidades relacionadas a aspectos essencialmente táticos do esporte e propostas interessantes que se colocam como alternativa para o método clássico de ensino do esporte centrado no trabalho com fundamentos isolados, inicialmente, para depois aplicá-los em situações de jogo.

No entanto, tudo indica que tanto os métodos contemporâneos como os clássicos partem da premissa de que, do ponto de vista do desenvolvimento motor, os aprendizes encontram-se prontos para os desafios que propõem. Ambos os métodos estão focados no componente matéria e não no componente aluno do processo ensino-aprendizagem, menos ainda na sua relação.

Os jogos de baixa, média e alta organização, ainda sem vinculação com modalidades esportivas específicas, diferentemente, portanto, dos conteúdos sugeridos nos métodos contemporâneos de ensino do esporte, possibilitam adquirir e aprimorar a combinação de habilidades básicas concomitantemente com o desenvolvimento da capacidade de leitura e julgamento da situação e de tomadas de decisão, em situações de diferentes níveis de exigência.

Dois aspectos merecem atenção nesse particular. Em primeiro lugar, que todas as habilidades motoras são na realidade perceptivo-motoras, de modo que quando se fala em combinação de habilidades básicas, a competência perceptiva para fazer a leitura do contexto e do ambiente mais próximo está sendo simultaneamente desenvolvida. Não há como separar o perceptivo do motor em habilidades motoras. Em segundo lugar, não confundir habilidades básicas com habilidades específicas, especialmente esportivas. Chutar não é futebol. Driblar não é basquetebol. Cambalhotar não é ginástica olímpica. São todas habilidades básicas.

Desta forma, o fato é que a fase de combinação de habilidades básicas, aquela que é frequentemente esquecida no ensino do esporte, quando adequadamente trabalhada, permite o desenvolvimento tanto do "o que fazer" como do "como fazer", preparando a base para a aprendizagem subsequente de habilidades específicas do esporte. Certamente, a discussão em torno dos métodos de ensino poderia ser retomada e aprofundada com diferente "tempero" e novo "sabor", quando se parte da premissa de que os alunos já têm essa base devidamente formada.

*Com informações de artigo do Portal da Educação Física.  

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