Postado em 02/01/2019

Quem trabalha em escritório sabe que é comum ficar toda a jornada de trabalho sentado, porém, segundo uma pesquisa realizada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), com esse comportamento você pode aumentar o risco de morte.

Os pesquisadores analisaram artigos e inquéritos da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tempo médio de permanência sentado em 54 países e relacionaram esses dados com uma meta-análise publicada na revista científica PLoS ONE. Essa é uma técnica estatística feita para integrar resultados de dois ou mais estudos sobre uma mesma questão de pesquisa.

O resultado do estudo foi que até 4% das mortes ocorridas anualmente no mundo poderiam ser evitadas se o tempo diário que as pessoas passam sentadas fosse reduzido em até três horas. Isso representa 433 mil pessoas por ano.

Ficar sentado 4 horas por dia aumenta o risco de morte em 2%; 5 horas, 4%; 6 horas, 6%; 7 horas, 8%. A partir de 7 horas sentado, o risco aumenta para 5%; 8 horas, 13%; e 9 horas, 18%”, esclarece o educador físico Leandro Rezende, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e um dos pesquisadores do estudo.

Segundo Rezende, esses riscos estariam relacionados com alterações cardiovasculares, alguns tipos de câncer, diabetes e colesterol: “Ficar muito tempo sentado diminui a expressão de óxido nítrico do organismo. Ocorre ainda a diminuição da ativação de uma enzima, a lipase lipoproteica, que é importante no metabolismo oxidativo, no controle de triglicérides, colesterol e outros fatores de risco metabólicos”.

Risco de infarto     
José Luís Aziz, diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia, afirma que vários estudos já vêm trabalhando nessa linha e que os riscos de saúde são reais. Ele adverte: “Ficar muito tempo sentado aumenta o risco de infarto, por exemplo, e você ainda aumenta o risco de trombose nas pernas”. Isso porque, segundo Aziz, o metabolismo diminui enquanto estamos sentados. Ele explica: “Quando você se movimenta, a circulação sanguínea melhora por conta da dilatação dos vasos. Há um aquecimento do corpo e você filtra mais líquido. Tudo isso melhora”.

Aziz comenta, ainda, que o indivíduo sedentário ganha peso e começa a desencadear diversos outros fatores na saúde, como aumento da pressão arterial e resistência à insulina, por exemplo. Ele esclarece: “Quando você faz atividade, algumas substâncias são liberadas do ponto de vista cardiovascular. Você tem um relaxamento da musculatura periférica e isso traz uma vasodilatação, fazendo com que o coração trabalhe mais fácil”.

O que fazer?           
Para mudar essa prática, é fundamental que o ambiente social seja alterado de alguma forma, avalia o educador físico Leandro Rezende, que assinala: “É preciso tornar as opções mais saudáveis de deslocamento e lazer convenientes. Isso porque se você tiver que fazer um sacrifício muito grande para se deslocar a pé ou ir ao trabalho de bicicleta, vai acabar não fazendo”.

Ele sugere que pequenas reuniões de trabalho, por exemplo, sejam feitas andando: “É possível fazer reuniões saindo do prédio e dando uma volta no jardim da empresa. Isso num ritmo confortável, que dê para conversar”.

Almoçar fora da mesa de trabalho, fazer pequenas pausas ao longo do dia para beber e ir ao banheiro e ginástica laboral são práticas bem-vindas. “Você tem que se movimentar para que o sangue que é bombeado pelos músculos da perna volte ao coração”, afirma o cardiologista José Luís Aziz. Ele complementa: “Vá buscar café, levante. Agora, se você colocar uma jarra de água na mesa e tomar ali mesmo, não é legal”.

 

 

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