Postado em 06/06/2018

Acredito que o grande limite do homem seja o físico, pois se dependermos da parte psicológica, nossa mente pode nos levar muito longe. Há casos em que o poder mental nos faz suportar muitas dores. No entanto, em outros momentos, isso não é possível. Aquela dor aguda, a hipoglicemia, a indisposição estomacal: quando isso acontece, parar é mais que um desejo, é uma obrigação. Desistir não é para os fracos, mas para os inteligentes.

Reconhecer o seu limite numa competição e desistir do “pace” ou simplesmente desistir da prova não é vergonha, e sim, um enorme aprendizado de foco, humildade e amadurecimento. Em algumas situações na vida, e na corrida também, é necessário errar para então absorver as lições.

O corredor deve conhecer seu limite e não querer extrapolá-lo. Se estiver bem treinado e “quebrar” (falamos aqui de ritmo de corrida), há a opção de diminuir o “pace”, sem necessariamente precisar desistir.

No entanto, em caso de dores agudas, lesões, traumas e sérias indisposições, a ordem é parar. Pare e dê um tempo. Se sentir melhora, retorne à corrida levemente. Se o problema persistir, é a hora da decisão sensata: desista!

Esqueça os memes que povoam as redes sociais do tipo “No Pain No Gain” e “Desistir é para os Fracos”. Desista, análise onde está o erro (se é que ele existe) e comece a pensar em um próximo desafio.

No trail, a desistência entre um posto de controle e outro é bem mais complicada, portanto só sai de um PC se estiver bem. Lembre-se: no trail, o socorro pode demorar longas horas. Já no asfalto, se não precisar de atendimento médico, é bom ter consigo aquele trocado para o ônibus ou o táxi para voltar para a arena da prova ou mesmo ir para casa.

Corridas não faltam. Saber parar e saber a hora em que insistir não faz mais sentido é, na verdade, uma sabedoria de corredor.

Desistir não é para os fracos, mas, sim, para os inteligentes.

 

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